quinta-feira, 7 de abril de 2011

13 MIL CARGOS DE CONFIANÇA NO GOVERNO DO PSDB EM MINAS GERAIS - ESTE É AÉCIO NEVES


blog do zé

Aparelhamento: MG tem mais de 13 mil em cargos de confiança

Aécio aumentou o número de funcionários em 30,9%...

Em seu discurso de estréia como novo líder de fato da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) - leiam análises acima e na sequência abaixo - retomou o discurso saudosista tucano do sucesso das privatizações, do plano real, da lei de responsabilidade fiscal. Até o PROER, aquele programa tucano de socorro a bancos quebrados, ele citou.

Não deixou de mencionar, também, o aparelhamento do Estado. Lembrou até o recente caso da Vale (substituição de dirigente). A propósito: levantamento trazido pelo jornal O Globo, hoje, infoma que Aécio Neves governador (2003-2010) aumentou em 30,9% o número de funcionários públicos no Estado e que o total de nomeados em cargos de confiança em Minas em suas duas administrações chegou a 13.069 mil.

Aécio sugere, também, que o governo federal passe em concessão estradas federais aos governos estaduais. Não entendi. Isso foi feito no Rio Grande do Sul e a contemporânea dele e correligionária tucana no governo daquele Estado, a governadora Yeda Crusius foi até a justiça para devolvê-las ao governo federal.

De propaganda Aécio Neves entende


Na visão do ex-governador de Minas tudo o que é feito pelo governo federal não passa de propaganda. Disso ele entende. Seu governo controla toda a midia de Minas que jamais pode dar um pio critico a ele, sob pena de demissões - sabe aquele estilo de ligar para redações pedindo cabeças?

Para Aécio o país esta gastando demais, se desindustrializando e tem alta carga tributária. Por fim, ele vê ameaças a democracia. Com o candidato tucano derrotado a presidente da República no ano passado na platéia (plenário do Senado), o mineiro não deixou de lembrar o Manifesto pela Democracia de apoio a José Serra naquela campanha eleitoral, lembrando até alguns de seus signatários.

Só não lembrou que aquela campanha foi uma das mais obscurantistas da história das disputas presidenciais em eleições diretas, com o lado tucano explorando até questões de princípio, foro íntimo e o sentimento religioso de nosso povo.

A conclusão de Aécio é que o pais vive na inércia. Como 1ª proposta para sair dela, sugeriu a redução de impostos, mas não disse nada sobre a reforma do ICMS parada no Congresso pela oposição dele e de José Serra. Depois, passou a elogiar seus adversários no tucanato - José Serra, presente para ouvir seu discurso, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

REDE CEGONHA - CONVERSANDO COM O EDINHO

Rede Cegonha vem para mudar paradigma

Edinho Silva

Mais um importante programa voltado à saúde foi lançado na última semana pela presidenta Dilma Rousseff. É o Rede Cegonha, destinado a atender gestantes e seus bebês.

Ao lançar o programa em Belo Horizonte, a presidenta disse que a desigualdade social na área da saúde é a mais perversa e que o governo vai lutar para mudar essa situação.

A presidenta também lembrou do compromisso assumido, na campanha eleitoral, de melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, transformar o SUS num sistema de alta qualidade é o maior desafio para o governo. "Não tem um lugar onde a desigualdade é mais perversa do que na área de saúde. É um desafio e estamos aqui para enfrentar desafios", afirmou.

De nossa parte, estamos confiantes no êxito do Rede Cegonha. O governo prevê investir R$ 9 bilhões no programa até 2014. O objetivo é ampliar a rede de assistência às gestantes e aos bebês e, com isso, reduzir a mortalidade infantil e materna.

O Rede Cegonha vai atuar de forma integrada com os estados e municípios, por meio do SUS. O programa vai repassar recursos às unidades de saúde para testes rápidos de gravidez.

Outro benefício será a oferta de vale-transporte para que a gestante possa comparecer às consultas de pré-natal e exames. As futuras mamães que forem a todas as consultas terão direito a um vale-táxi para se deslocar até a maternidade, quando for dar à luz.

O Rede Cegonha também tem como meta aumentar de quatro para seis o número de consultas recomendadas às gestantes. Segundo o Ministério da Saúde, hoje, quase 90% das mulheres brasileiras fazem as quatro consultas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Nossa experiência na Prefeitura de Araraquara mostra que a ampliação do número de consultas pré-natal é de suma importância para melhorar a qualidade da gestação e reduzir a mortalidade, tanto de mães quanto de bebês. Na prefeitura, conseguimos atingir uma média de 9 consultas pré-natal, o que permitiu reduzir para menos de 10 as mortes de recém-nascidos no município em 2007.

Com o novo programa do Ministério da Saúde, o governo pretende garantir que 100% das grávidas façam ultrassom. Hoje, o SUS recomenda 20 tipos de exames às gestantes, mas só uma parte delas faz a ultrassonografia. O Rede Cegonha vai oferecer, ainda, outros nove tipos de exames complementares em caso de gravidez de risco.

Por meio do programa, a gestante também vai poder conhecer, antes do parto, a maternidade em que terá o bebê. Para os casos de gravidez de alto risco, serão criadas casas da gestante e do bebê. Essas unidades vão receber mulheres que necessitam de observação, mas que não precisam ser internadas.

O programa é, sem dúvida, uma quebra de paradigma na questão da saúde da gestante no Brasil. A partir dele, a mulher se sentirá muito mais segura durante a gestação e, consequentemente, sofrerá bem menos estresse na hora do parto. Bom para ela, bom para o bebê.

A criança, por sinal, também terá assistência direta do programa. Nos dois primeiros anos de vida do bebê, o Rede Cegonha vai acompanhar seu desenvolvimento, além de promover campanhas em favor do aleitamento materno e de incentivo ao parto normal.

As regiões metropolitanas, com maior número de gestantes, e Nordeste e Amazônia, nas quais os índices de mortalidade infantil são os mais elevados do país, serão as primeiras a receber unidades do programa. Depois, o Rede Cegonha começará a se espalhar pelas outras regiões do Brasil.

A iniciativa da presidenta Dilma dá mostras que o seu governo se preocupará muito com o desenvolvimento social, como fez o presidente Lula, mas com a peculiaridade da sensibilidade da mulher, da mãe, que sabe dos sofrimentos vivenciados com a ausência de políticas públicas específicas.

*Edinho Silva é deputado estadual e presidente do PT no Estado de São Paulo

GOVERNO DE SP SÓ TEM DOIS CENTROS DE RECUPERAÇÃO DE DEPENDENTES DE CRACK - DESGOVERNO TUCANO

Estado de SP só tem dois centros de atendimento aos dependentes do crack

O mapeamento da dimensão da presença do crack nos municípios paulistas, seus reflexos e a articulação de política pública integrada foi o foco da primeira mesa do I Seminário Paulista de Enfrentamento ao crack e outras drogas, promovido pelos deputados Donisete Braga e Enio Tatto, nesta terça-feira (4/5), na Assembleia Legislativa.

Representando os executivos municipais, Marcos Monti, da Associação Paulista de Municípios, defendeu uma ação integrada entre os gestores públicos - Município, Estado e Federação. Segundo ele, pesquisas recentes apontam que dos 645 municípios de São Paulo, 520 já detectaram a presença do crack.

Para Wladimir Taborda, da secretaria estadual da Saúde, há uma estreita relação entre os consumidores de álcool e crack. Ele apresentou alguns desafios do Programa Estadual de Políticas sobre Álcool e Crack e pontuou as ações a devem ser desenvolvidas de maneira conjugada – prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, e articuladas entre várias secretarias de Estado.

Uma triste realidade é que, embora o Estado de São Paulo tenha 266 Caps – Centro de Atendimento Psiquiátrico, apenas dois têm um trabalho específico aos dependentes do crack.

Diante desse fato, o deputado Enio Tatto ponderou que a sociedade e os governos estão perdendo a briga para a crack: “A maioria dos jovens adolescentes, hoje internados na Fundação Casa, são vítimas do crack. Nós precisamos discutir, no Orçamento estadual, recursos para que os nossos municípios possam ter estruturas e profissionais com condições de enfrentar este problema”. Já, o também parlamentar petista Donisete Braga lembrou que o problema da crack atinge a sociedade em todas as classes sociais e é tema prioritário do governo Dilma.

Cracolândia

O perfil e a situação dos dependentes de droga no centro da Capital, conhecido como “cracolândia”, foram apresentados pela representante da secretaria municipal de Saúde, Rosangela Elias. Os dados mostram que a maior presença entre os dependentes são de adultos jovens, do sexo masculino.

A primeira mesa de debates do dia foi concluída por Roberto Tykanori, do Ministério da Saúde, que, assim como os demais, defendeu a necessidade da articulação entre os governos, mas destacou que as estatísticas das pesquisas realizadas pelo Ministério não constatam um quadro de epidemia do crack na nossa sociedade.

“Há um impacto sobre a carga da doença, as pessoas ficam impressionadas com as imagens degradante dos dependentes e isso gera medo e insegurança. Muitas vezes, a mídia dimensiona esta realidade e isso, por sua vez, pode favorecer as pessoas aceitarem a violência para coibir a ação dos dependentes. Isso pode ‘ legitimar ‘ a barbárie, inclusive a praticada pela Estado” , enfatizou Tykanori.

O representante do Ministério disse que entre as ações planejadas pelo Ministério da Saúde está o desenvolvimento de políticas públicas que viabilizem ao dependente a prática de uma atividade que gere renda e que tenha apoio para pagar o custo de uma moradia social.

Prefeitos, vereadores, secretários municipais de Saúde, guardas municipais e especialistas participaram e contribuíram com os debates.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM CRESCIMENTO


Produção industrial cresce em nove dos 14 locais pesquisados pelo IBGE

Paulo Virgilio

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Os índices regionais da produção industrial aumentaram, de janeiro para fevereiro deste ano, em nove dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os números da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional, divulgados hoje (6), os destaques foram Goiás (9,1%), Pernambuco (8%), o Rio de Janeiro (5,1%), o Amazonas (4,6%), Minas Gerais (3,4%) e o Espírito Santo (2,2%). Esses estados registram crescimento acima da média nacional (1,9%). Entre as cinco localidades que reduziram a produção, as maiores quedas foram no Paraná (-10,5%), na Bahia (-8,8%) e no Pará (-2%).

Na comparação com fevereiro do ano passado, a produção industrial regional cresceu em oito dos 14 locais pesquisados, com uma média nacional de 6,9%. As maiores expansões, acima da média, ocorreram no Espírito Santo (14,4%), Amazonas (11,1%), Paraná (9,4%), em Minas Gerais (8,8%), no Rio Grande do Sul (7,9%) e Rio de Janeiro (7%). Segundo o IBGE, esse desempenho reflete não só uma maior produção no início do ano, mas também o chamado efeito calendário, já que em 2011 fevereiro teve dois dias úteis a mais do que em 2010.

Já a Bahia, com uma queda de 15,6%, registrou o maior resultado negativo, atribuído pelo IBGE a uma queda de 48% na produção do setor químico, em função da paralisação da atividade pelo apagão que afetou a Região Nordeste no início de fevereiro.

No acumulado do primeiro bimestre do ano, a produção industrial cresceu 4,6%, na média nacional, com destaque para o Paraná (13,8%), o Espírito Santo (11,7%), Minas Gerais (6%), o Amazonas (5,6%) e São Paulo (5,1%). Segundo o IBGE, o aumento na produção de bens de consumo duráveis (automóveis e telefones celulares) e em setores produtores de bens de capital, além da recuperação de atividades voltadas para a exportação, como a das commodities, explicam o bom desempenho da indústria nesses estados.

Edição: Juliana Andrade

IBGE PREVÊ RECORDE DA SAFRA DE GRÃOS 2011


Safra de grãos em 2011 pode superar em 4% o recorde de 2010, prevê IBGE

Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A safra nacional de grãos – cereais, leguminosas e oleaginosas – poderá atingir este ano 155,6 milhões de toneladas, de acordo com a estimativa de março do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão indica um crescimento de 4% em relação à safra recorde de 2010, que foi de 149,7 milhões de toneladas. Também representa um aumento de 2,9% sobre os 151,2 milhões de toneladas projetados na estimativa anterior, de fevereiro.

De acordo com a pesquisa do IBGE, a Região Sul lidera a produção estimada da safra de grãos, com 64,9 milhões de toneladas, seguida do Centro-Oeste, com 55 milhões. O Sudeste tem uma previsão de 16,5 milhões, o Nordeste 15 milhões e a Região Norte, 4,3 milhões de toneladas. Na comparação com os resultados de 2010, o Nordeste é a região com maior crescimento da produção, 26,2%, seguida do Norte (7,1%), Centro-Oeste (4,7%) e Sul (1,0%). Para o Sudeste, a previsão é de um decréscimo de 3,6% na produção de grãos.

Entre os estados, o Paraná mantém a liderança na produção, com 20,2%, vindo a seguir Mato Grosso (19,4% e Rio Grande do Sul (17,3%). Quanto à área a ser colhida, a estimativa do IBGE é de 48,1 milhões de hectares, num acréscimo de 3,3% frente à área colhida em 2010. As culturas de arroz, milho e soja, responsáveis por 90,8% da produção nacional de grãos, ocupam 82,4% da área a ser colhida.

Treze dos 25 produtos agrícolas que integram o levantamento do IBGE apresentaram em março variação positiva na estimativa de produção, em relação ao ano anterior. Os destaques são algodão herbáceo em caroço (63,5%), mamona em baga (51,3%) e feijão em grão da 1ª safra (27,4%). Entre os que registraram variação negativa na estimativa de março, destacam-se aveia em grão (25,2%), trigo em grão (19,3%) e cevada em grão (12,6%).


Edição: Lílian Beraldo

quinta-feira, 31 de março de 2011

MEIO AMBIENTE: O QUE ESTÃO ESCONDENDO EM FUKUSHIMA?


O que estão escondendo em Fukushima? O especialista japonês Hirose Takashi propõe a solução sarcófago para Fukushima: enterrar tudo sob cimento, como se fez em Chernobyl. Para ele, Tóquio e Osaka correm um perigo real. Ele critica o comportamento do governo e dos meios de comunicação, que não estariam informando à população da gravidade real do problema em Fukushima. "Todo mundo sabe quanto tempo demora um tufão a passar pelo Japão; geralmente leva uma semana. Isto é, com um vento de 2m/s, pode levar cinco até que todo o Japão fique coberto de radiação. E não estamos a falar de distâncias de 20 ou 30 km, mas sim de 100 km. Significa Tóquio, Osaka", adverte Takashi.

Hirose Takashi escreveu uma prateleira de livros, a maioria sobre a indústria da energia nuclear e o complexo militar-industrial. O seu livro mais conhecido é provavelmente “Nuclear Power Plants for Tokyo” no qual ele leva a lógica dos promotores da energia nuclear à seguinte conclusão lógica: se têm tanta certeza de que as centrais nucleares são seguras, por que não construí-las no centro da cidade, em vez de a centenas de quilômetros, perdendo metade da electricidade pelos cabos condutores? De certa forma, deu a entrevista, que está parcialmente traduzida abaixo, contra os seus impulsos. Hoje, falei ao telefone com ele (22 de março de 2011) e disse-me que, embora fizesse sentido apoiar a energia nuclear naquela altura, agora que o desastre começou ele ficou calado, mas as mentiras que estão contando na rádio e na TV são tão flagrantes que tinha de falar. Traduzi apenas o primeiro terço desta entrevista, a parte que diz respeito ao que está a acontecer nas centrais de Fukushima. Na última parte, ele falou sobre o quão perigosa é a radiação em geral, e também sobre o perigo contínuo causado pelos terremotos. Depois de ler o seu relato, vai perguntar-se sobre o porquê de continuarem a lançar água sobre os reatores, em vez de aceitarem que a solução é o sarcófago (isto é, enterrar os reatores em betume). Avalio que existem algumas respostas. Primeira, aqueles reatores foram caros e não dá para arcar com o custo financeiro. Outra, e mais importante, aceitar a solução sarcófago significaria admitir que estavam errados e não podem resolver a situação. Por um lado, é demasiada culpa para um ser humano suportar. Por outro, significa a derrota da ideia da energia nuclear, uma ideia à qual se devotam religiosamente. Representa não só a perda destes seis reatores (ou dez), mas também o encerramento dos outros todos, uma catástrofe financeira. Se os conseguirem arrefecer e pô-los a funcionar, então podem dizer “vêem, a energia nuclear não é assim tão perigosa”. Fukushima é uma tragédia que o mundo inteiro está assistindo e pode acabar numa derrota (perante a sua esperança, que penso existir sem fundamento) ou numa vitória para a energia nuclear. O relato de Hirose pode ajudar-nos a perceber o que está em jogo. (Apresentação de Douglas Lummis) Hirose Takashi: O Acidente na Central Nuclear de Fukushima e os Meios de Comunicação Difundido por Asahi NewStar, 17 de Março de 2011 Entrevistadores: Yoh Sen'ei e Maeda Mari Muitas pessoas viram água sendo lançada sobre os reatores a partir do ar e do chão. Isso é eficaz? Se se quiser arrefecer um reator com água, tem de circulá-la lá dentro, de modo a tirar o calor, de outra forma não serve para nada. Por isso, a única solução é voltar a ligar a electricidade. Se não, é como deitar água em lava. Voltar a ligar a eletricidade – isso para reiniciar o sistema de arrefecimento? Sim, o acidente foi causado pelo fato de o tsunami ter inundado os geradores de emergência, destruindo os seus depósitos de combustível. Se isso não for reparado, não há possibilidade de se recuperar deste acidente. A TEPCO (Tokyo Electric Power Company, proprietária e gestora das centrais nucleares) diz que esperam voltar a ter uma linha de alta voltagem ainda esta noite. Sim, existe uma réstia de esperança. Mas o que é preocupante é que um reator nuclear não é como os desenhos esquemáticos que as imagens mostram. Isto é apenas um cartoon. Aqui está como é por baixo de um contentor do reator. Isto é a parte final do reator. Veja bem. É uma floresta de alavancas, fios e canos. (ver imagem acima) Na televisão, surgem estes pseudo-académicos e dão-nos explicações simples, mas não sabem nada, estes professores universitários. Só os engenheiros sabem. Aqui é onde a água deve ser jogada. Este labirinto de canos é suficiente para provocar tonturas. A sua estrutura é demasiado complexa para nós entendermos. Há uma semana que têm lançado água por aqui. E é água salgada, ok? Se joga água salgada numa fornalha, o que pensa que acontece? Fica com sal, que entra em todas estas válvulas e as paralisa. Não se mexem. Isto vai acontecer em toda parte. Portanto, não acredito que seja apenas uma questão de se voltar a ter eletricidade e a água começará a circular outra vez. Penso que qualquer engenheiro com um pouco de imaginação entende isto. Temos um sistema incrivelmente complexo como este e depois joga-se água a partir de um helicóptero – talvez eles tenham uma ideia de como isto funciona, mas eu não entendo. Serão necessárias 1300 toneladas de água para encher as piscinas que contêm as varas de combustível que foram gastas nos reatores 3 e 4. Esta manhã foram 30 toneladas. Depois, as Forças de Defesa vão canalizar mais 30 toneladas a partir de cinco caminhões. Isto não é nem perto do que é preciso, terão de continuar. Esta operação de jogar água pelas mangueiras mudará a situação? Em princípio, não. Mesmo quando um reator não está danificado, requer controle constante para manter a temperatura baixa, em níveis seguros. Agora está tudo voltado do avesso, e quando penso nos restantes 50 operadores, fico com lágrimas nos olhos. Suponho que foram expostos a enormes quantidades de radiação, e aceitaram enfrentar a morte ao estar lá dentro. Quanto tempo terão? Quero dizer, fisicamente. É a isto que a situação chegou. Quando vejo os tais relatos na televisão, quero dizer-lhes, “Se realmente é assim, então vai lá tu!” A sério, eles dizem estes disparates para tentar acalmar toda a gente, evitar o pânico. O que precisamos agora é justamente de pânico, porque a situação chegou ao ponto em que o perigo é real. Se eu fosse o primeiro-ministro Kan, ordenaria que fosse feito o que a União Soviética fez quando da explosão do reator de Chernobyl, a solução sarcófago, enterrar tudo sob cimento, pôr todas as empresas de cimento do Japão a trabalhar e jogá-lo a partir do ar. Temos de esperar o pior. Por quê? Porque em Fukushima está a Central Daiichi, com seis reatores e a Central Daini, com outros quatro, num total de dez. Se apenas um deles evolui para o pior, então os trabalhadores terão de evacuar o lugar ou ficar e colapsar. Se, por exemplo, um dos reatores em Daiichi for abaixo, para os outros cinco será uma questão de tempo. Não podemos adivinhar em que ordem, mas com certeza todos eles cairão. Se isso acontecer, Daini não é assim tão longe, e provavelmente os seus reatores também não sobreviverão. Acredito que os trabalhadores não vão poder ficar lá. Estou falando do pior caso, mas a probabilidade não é baixa. É este o perigo que o mundo está assistindo. Só no Japão é que está sendo escondido. Como se sabe, dos seis reatores de Daiichi, quatro encontram-se em estado crítico. Mesmo que tudo corra bem e a circulação da água seja restaurada, os outros três poderão ainda dar problemas. Quatro estão em crise, e para recuperarem em 100%, odeio dizê-lo, estou pessimista. Se isso correr mal, para salvar as pessoas, temos de pensar numa forma de reduzir a fuga de radiação para o nível mínimo possível. Não através de água com mangueiras, que é como borrifar o deserto. Temos de pensar que os seis poderão colapsar, e a possibilidade de tal acontecimento não é baixa. Todo mundo sabe quanto tempo demora um tufão a passar pelo Japão; geralmente leva uma semana. Isto é, com um vento de 2m/s, pode levar cinco até que todo o Japão fique coberto de radiação. E não estamos a falar de distâncias de 20 ou 30 km, mas sim de 100 km. Significa Tóquio, Osaka. E assim, rapidamente se pode espalhar uma nuvem radioactiva. Claro que dependerá do tempo, não podemos saber de antemão como é que a radiação se distribuiria. Há dois dias, no dia 15 (de março), o vento soprava em direção a Tóquio. É assim... Todos os dias o governo local mede a radioatividade. Todos os canais de televisão estão dizendo que, embora a radiação aumente, ainda não é alta o suficiente para ser um perigo para a saúde. Comparam-na a um raio-X no estômago. Qual é a verdade? Por exemplo, ontem. À volta da Estação Daiichi de Fukushima, mediram 400 milisievert (1) por hora. Com esta medição, Edano (Secretário do Chefe de Gabinete) admitiu pela primeira vez que havia um perigo para a saúde, mas não explicou o que isto quer dizer. Toda a informação dos meios de comunicação está falhando. Estão dizendo coisas estúpidas, como: “mas nós estamos sempre expostos à radiação durante o nosso dia-a-dia, recebemos radiação do espaço.” Mas isto é 1 milisievert por ano. Um ano tem 365 dias, um dia 24h; multiplique-se 365 por 24 e obtemos 8760. Multiplique-se 400 milisieverts por isto e obtemos 3 500 000 vezes a dose normal. Chamamos a isto seguro? E os meios de comunicação noticiaram isto? Nada. A razão pela qual a radiação pode ser medida é porque o material radioativo está escapando. É perigoso quando este material entra no nosso corpo e emite radiação a partir de dentro. Estes acadêmicos porta-vozes da indústria vêm a televisão e dizem o quê? Dizem que, ao deslocarmo-nos em sentido contrário, a redução da radiação é inversamente proporcional ao quadrado da distância. Eu digo o contrário. A radiação interna acontece quando o material radioativo está dentro do corpo. O que acontece? Digamos que estamos a um metro de uma partícula nuclear: ao respirarmos, ela entra no nosso corpo; a distância entre nós e a partícula é agora de um micron. Um metro são mil milímetros, um micron é um milésimo de um mílimetro. Ou seja, mil vezes mil: um milhar quadrado. Este é o significado real do “inversamente proporcional do quadrado da distância.” A exposição à radiação aumenta no fator de um trilhão. Inspirar a mais pequena partícula, é este o perigo. Então, comparações com raios-x e Tomografias não é possível, porque se pode inspirar material radioativo. Sim, é isso. Quando entra no nosso corpo, não se pode dizer para onde vai. O maior risco são as mulheres, especialmente, mulheres grávidas, e crianças pequenas. Agora estão falando sobre iodo e césio2 (2), mas isso é só parte do assunto, não estão usando os instrumentos próprios para detecção. O que eles chamam monitorização significa apenas a medida da quantidade de radiação no ar. Os seus instrumentos não comem. O que eles medem não tem conexão com a quantidade de material radioativo. Então, os danos causados pelos raios radioativos e por material radioativo não são os mesmos. Se perguntar: existem quaisquer raios radioativos da Central Nuclear de Fukushima neste estúdio, a resposta é não. Mas as partículas radioativas são transportadas pelo ar. Quando o núcleo começa a derreter, os elementos que estão dentro, com o iodo, tornam-se gases. Elevam-se no ar, se houver alguma falha escapa para fora. Existe alguma forma de detectar isto? Um jornalista disse-me que a TEPCO não tem capacidade nem para fazer a monitorização regular. Apenas fazem medições ocasionais, que são a base das declarações de Edano. Devem realizar-se medições constantes, mas eles não estão em condições de fazê-las. E é preciso investigar o quê e quanto está escapando, o que requer instrumentos de medição muito sofisticados. Não se pode fazê-lo apenas através de um posto de medição, que não chega medir o nível de radiação no ar. Precisamos saber que tipo de materiais radioativos estão escapando, e para onde vão – não têm um sistema capaz de fazer isso agora. (*) Douglas Lummis é um cientista político que vive em Okinawa e é o autor de “Radical Democracy”. Lummis pode ser contactado através de: ideaspeddler@gmail.com Retirado de Counterpunch Tradução de Sofia Gomes para o Esquerda.net (1) O sievert, cujo símbolo é Sv, é a unidade SI de dose equivalente e pode ser definida como a dose equivalente quando a dose absorvida da radiação de ionização multiplicada pelos fatores estipulados adimensionais é 1 Joule por quilograma. (2) Metal alcalino.

Fotos: Parte final do reator é uma floresta de alavancas, fios e canos.

terça-feira, 29 de março de 2011

OS CÉUS GANHAM UMA ESTRELA


"Tem adeus que é só um leve até breve..."

José Alencar Gomes da Silva
Muriaé (MG) 17/10/1931 -