quinta-feira, 6 de maio de 2010

EMIR SADER MOSTRA O LOBO EM PELE DE CORDEIRO


O anti-Lula de Serra: sua verdadeira política econômica

Serra ficou furioso. Sua equipe econômica deu entrevista à agência Reuters e abriu o jogo, revelando o plano econômico real que, caso ganhasse o tucano, colocaria em prática, confirmando os principais neoliberais de Serra – os mesmos que orientaram seu governo em São Paulo. Serra esbravejou, esperneou, distribuiu broncas, ordenou que ninguém repercutisse nos partidos da imprensa. Mas já era tarde.

A primeira medida econômica de Serra seria um duro ajuste fiscal – como é típico dos governos neoliberais. Segundo revelado por dois membros da equipe econômica tucana, se promoveria a renegociação de contratos e o corte de despesas públicas – conforme o modelo do FMI. Esse seria o começo do “choque de gestão”, típico das gestões tucanas.
“Ele vai entrar com medidas fiscais e até renegociação de alguns contratos”, disse a fonte tucana.”As despesas da máquina pública estão sob um controle muito frouxo...”

Critica-se o aumento das despesas públicas, uma suposta queda na arrecadação e as desonerações feitas para resistir aos efeitos da crise mundial. Anuncia que estão vigilantes sobre a cotação do real frente ao dólar. O papel dos bancos públicos seria “relativizado”, de forma coerente com a privatização do Banespa, vendido ao banco espanhol Santander, assim como a colocação à venda da Nossa Caixa que, felizmente, foi resgatada pelo Banco do Brasil. Assim, São Paulo, o estado mais rico do país, não tem mais nenhum banco público, o candidato tucano preferiu liquidar o patrimônio para fazer estradas, que aparecem muito mais do que financiamentos subsidiados para casa própria, por exemplo, como faz o governo federal. “Relativizado” significa baixo perfil, Estado mínimo, conforme o receituário neoliberal, para que os bancos privados possam ser absolutizados, possam ocupar mais espaço ainda.

Diz o tucano, na entrevista a Reuters, que o fortalecimento dos bancos públicos contribuiria para “aumentar a pressão inflacionária, ao aquecer em demasia a atividade” (sic), preocupação prioritária dos neoliberais, que não aprendem com o governo Lula que se pode – e se deve – aumentar os salários e diminuir as taxas de juros que, em um marco de crescimento com distribuição de renda, não apresentam riscos inflacionários. “Não acho que os bancos públicos precisam ter uma política tão protagonista (sic) neste pós-crise”, afirma a fonte, de forma coerente.

“Uma atuação menos arrojada, inclusive, poderia ser um dos caminhos para evitar a alta das taxas de juros a fim de controlar a inflação e as expectativas de preços”, comenta Reuters, a partir da conversa com membros da equipe econômica tucana.

A equipe serrista considera exagerados os estímulos fiscais dados pelo governo Lula durante a crise. “Não precisava dar para toda a linha branca e depois para móveis...” Parece que seguem acreditando que o próprio mercado tem mecanismos próprios de reativação econômica.

Apostam pouco na concretização de reformas como a tributária, em que o interesse seria apenas o de desonerar investimentos e folha de pagamento, sem nada que apontasse para uma estrutura tributária em que “quem ganha mais, paga mais”, como seria socialmente justo.

Então, a surpresa que Serra esconde é similar à de Carlos Menem e à de Carlos Andrés Perez: um grande pacote de ajuste, escondido sob o disfarce de um “choque de gestão”, tão a gosto do neoliberalismo tucano.

O BRASIL FAZ A DEFESA DA DEMOCRACIA NA AMÉRICA LATINA

6 de Maio de 2010 - 14h20

Madri cede a pressão brasileira e manterá Honduras fora da cúpula
Após ameaça dos países latino-americanos de boicotarem a Cúpula União Europeia-América Latina e Caribe, a Espanha cedeu à pressão, limitando a participação do presidente de Honduras, Porfírio Lobo, no evento.


O Itamaraty disse ontem que foi informado pelo governo espanhol que Lobo estará presente apenas na atividade entre a UE e a América Central, para a assinatura de um acordo comercial. A decisão abre espaço para a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina Kirchner e outros chefes de Estado da região que haviam ameaçado não comparecer ao encontro caso o líder hondurenho estivesse presente.

Fontes da UE afirmaram que um acordo sobre a participação de Lula na cúpula já havia sido alcançado. O Palácio do Planalto confirmou, em conversas privadas com o bloco, a viagem do presidente a Madri, no dia 17. Em Brasília, assessores do Planalto afirmaram que a solução encontrada pelo governo espanhol foi considerada satisfatória.

A participação de Lobo deve agora ocorrer um dia depois da cúpula, na qual participarão Lula, Hugo Chávez e outros líderes que se opõem ao governo hondurenho, eleito sob um regime golpista. Lobo teria, então, sua participação suspensa no evento principal. Assim, a UE não precisaria passar pelo embaraço de desconvidar Lobo. No entanto, ao mesmo tempo, não criaria um mal-estar completo com a maior parte da região.

"Convidamos todos os presidentes e estamos trabalhando para que a cúpula tenha êxito", limitou-se a dizer o porta-voz do governo da Espanha, Juan Cierco. Ele admitiu, porém, que existem problemas em relação à participação de Honduras na reunião. Na chancelaria espanhola, a porta-voz Arancha Banon rejeitou confirmar se Lobo terá sua participação limitada. "Não falaremos mais nada sobre o assunto."

No Itamaraty, altos funcionários dão o tema como resolvido diante das garantias que receberam de que Lobo e Lula não se cruzariam em Madri. A decisão da Espanha de convidar Honduram para o evento foi duramente criticada pelo governo brasileiro. Também reagiram Caracas e Buenos Aires.

No governo brasileiro, a avaliação foi de que a Espanha, que está na presidência da União Europeia (UE), estaria "forçando a barra" ao convidar Honduras, que foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a assinatura do acordo de livre comércio com os países da região. "Não há mais espaço para rupturas institucionais e golpes militares na nossa região", disse Lula.

O RODOANEL E A INCOMPETÊNCIA TUCANA




Às escuras, obra-símbolo do governo Serra virou a rodovia do medo


Inaugurado às pressas, no final de março, para servir de vitrine do governo José Serra (PSDB-SP), o Trecho Sul do Rodoanel é um colapso só. Seus 61,4 quilômetros de extensão ainda não têm energia elétrica, e as pistas estão praticamente às escuras. As únicas exceções são alguns pontos, como as pontes sobre represas e os acessos, onde são usados geradores elétricos à base de óleo diesel.


Inauguração às pressas comprometeu a segurança da rodovia


A falta de energia elétrica também faz o sistema de monitoramento eletrônico funcionar de forma precária. Atualmente, há 13 câmeras ligadas — quase um quarto do total previsto —, que estão localizadas nas duas extremidades da pista. Esses equipamentos começaram a funcionar somente no último fim de semana.

Em geral, rodovias não contam com sistema de iluminação em toda a extensão — mas há luz em áreas com curvas perigosas, trechos urbanos e pontes. Como o Trecho Sul não apresenta muitos acessos ou curvas acentuadas, predomina a escuridão em praticamente toda a extensão. Resultado: muitos motoristas evitam utilizar a rodovia à noite.

Ainda em 2009, num gesto de desespero e imprudência, Serra obrigou os empreiteiros a encurtarem drasticamente o cronograma das obras — tudo para poder lançar o Trecho Sul antes de sua desincompatibilização do governo. A irresponsabilidade do tucano foi tanta que, segundo o governo de seu sucessor, Alberto Goldman, serão necessários mais 60 dias, ainda, para que a eletricidade seja ligada.

“Tivemos registros de roubos”, admite o tenente Luís Antônio Caria, comandante do policiamento no Rodoanel. Caria tenta limpar a barra de Serra — que agora pleiteia a Presidência da República: “Muitas pessoas roubadas em outros locais podem ter registrado a ocorrência na nossa base”. Da mesma forma, porém, motoristas assaltados no Trecho Sul podem dar queixa em outros locais.

À noite, o pior momento

Segundo usuários do novo trecho do Rodoanel que viajam até o Porto de Santos, à noite é preferível cortar São Paulo a se submeter aos perigos da pista recém-lançada. Em apenas um mês, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos da Baixada Santista (Sindicam), José Luiz Ribeiro Gonçalves, recebeu pelo menos cinco denúncias de caminhoneiros atingidos por pedras jogadas de cima da passarela do km 29, por exemplo.

"Daí o cara pensa: ‘Se eu parar, vou ser assaltado’. E com isso já começou a se discutir se vale a pena passar por lá depois das 19 horas. São reclamações pontuais, mas precisa de mais fiscalização naquela área", relata.

Já o caminhoneiro Elias Guedes Junior, de 31 anos, diz que não utiliza o Rodoanel após as 22 horas. "Não tenho coragem. Existem uns trechos muito abandonados”, afirma. “Tenho medo de ladrão, e a essa hora compensa passar pela Bandeirantes", agrega. Ele transporta açúcar do interior paulista para o terminal portuário da Cosan.

Inauguração eleitoreira

Em abril, o diretório do PT em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, ingressou com duas representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Serra, apontando propaganda eleitoral antecipada no evento de inauguração do Trecho Sul do Rodoanel. Nas representações, o PT afirma que o presidenciável tucano "promoveu seu nome junto aos eleitores" antes do prazo legal permitido pela Lei Eleitoral número 9.504, de 1997, que fixa o dia 6 de julho como o início oficial da campanha.

Para beneficiar Serra, o PSDB colocou outdoors com a imagem do tucano em São Bernardo, distribuiu panfletos partidários e utilizou um caminhão de som durante a inauguração do Rodoanel. A veiculação da propaganda em outdoors, com a frase "Seu presente chegou! Rodoanel — O nosso trabalho você vê!", apresentava Serra ao lado do deputado estadual Orlando Morando Junior (PSDB) e foi proibida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).

O Rodoanel não é a única estrada marcada pela insegurança e pelo medo. As rodovias Federais Régis Bittencourt e Fernão Dias também não têm sistema de monitoramento por câmeras, apesar de o contrato de concessão exigir esses equipamentos. A previsão é de concluir a iluminação apenas em 2013.

Da Redação, com informações da Agência Estado

A GANÂNCIA DO SISTEMA FINANCEIRO EM GUERRA COM A LIBERDADE


O potencial de destruição do fascismo financeiro

Um exemplo para entender esta nova forma de socialbilidade fascista é a resposta do corretor da bolsa de valores quando lhe perguntaram o que era para ele o longo prazo: “longo prazo para mim são os próximos dez minutos”. Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país. O artigo é de Boaventura Sousa Santos.

Há doze anos publiquei, a convite do Dr. Mário Soares, um pequeno texto
(Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema atualidade, não resisto à
tentação de evocar aqui. Nele considero eu que um dos sinais da crise da
democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao
fascismo do século passado. Não se trata de um regime político mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do
capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna
desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se, pois, de um
fascismo pluralista e, por isso, de uma forma de fascismo que nunca existiu.

Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. E sobre este dizia o seguinte:

O fascismo financeiro é talvez o mais virulento. Comanda os mercados
financeiros de valores e de moedas, a especulação financeira global, um
conjunto hoje designado por economia de casino. Esta forma de fascismo social é a mais pluralista na medida em que os movimentos financeiros são o produto de decisões de investidores individuais ou institucionais espalhados por todo o mundo e, aliás, sem nada em comum senão o desejo de rentabilizar os seus valores. Por ser o fascismo mais pluralista é também o mais agressivo porque o seu espaço-tempo é o mais refratário a qualquer intervenção democrática.

Significativa, a este respeito, é a resposta do corretor da bolsa de valores
quando lhe perguntaram o que era para ele o longo prazo: “longo prazo para mim são os próximos dez minutos”. Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país.

A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o
mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, as empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuídas – que vão de AAA a D – são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições. Estas empresas têm um poder extraordinário.

Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, «o mundo do pós-guerra fria tem duas superpotências, os EUA e a agência Moody’s». Moody’s é uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor’s e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que «se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody’s tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota».

Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa
batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso
financeiro do país. Os critérios adotados pelas empresas de rating são em
grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuírem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar nos países do chamado Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Européia.

FMI ERRA TODAS AS PROJEÇÕES PARA O BRASIL


Desde 2008, FMI errou todas projeções para o Brasil

Cenário previsto para PIB, inflação, conta corrente e reservas não se confirmou; fundo influencia fluxo de capitais

Klinger Portella, iG São Paulo | 06/05/2010 05:52


Desde setembro de 2008, foram divulgadas oito versões do WEO (metade delas era atualização). Em todas, os números projetados não se confirmaram na prática (veja a diferença entre as projeções do FMI e os resultados oficiais no quadro ao lado). Os erros aconteceram basicamente nos números, mas não na tendência dos indicadores.

Apesar de os economistas afirmarem que os erros do FMI não afetam sua credibilidade, o impacto dos relatórios tem seus efeitos na economia brasileira como um todo. Para José Luiz Rossi, professor do Insper, quando analisado o aspecto político, as falhas podem prejudicar. “Quando o FMI fala, tem um peso significativo, até porque há muito dinheiro envolvido e isso afeta o próprio fluxo de capitais”, diz.

Em função dessa influência, a economista Thais Marzola, sócia da consultoria Rosenberg & Associados, defende que as projeções fossem feitas com mais de um cenário como base. “Ou então, deveria deixa claro quais são as hipóteses que o Fundo considera para projetar aqueles números”, afirma.

Ela não acredita, no entanto, que o FMI tenha uma análise pior do que as consultorias e bancos brasileiros – que ganham dinheiro investindo em juros, câmbio e outras variáveis e costumam chegar mais perto do resultado final em suas projeções. “Eles [FMI] não revisam tanto o cenário como nós, que acompanhamos mais de perto”, diz Marzola. O economista Roberto Luis Troster, sócio da consultoria Integral Trust e ex-presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), vai além e diz que mesmo os bancos e consultorias também erram frequentemente. “Na média, o Fundo até que acerta bastante”, diz.

Em trabalho elaborado com base nas projeções feitas pelo Fundo, Troster afirma que o Brasil foi o país com maior alta nas projeções de médio prazo, frente ao relatório anterior do FMI, divulgado em outubro de 2009. “A diferença para a projeção do PIB em 2014 para o Brasil foi de 0,36 ponto percentual, a maior entre os principais países”, disse.

Mas, dados os erros anteriores, ainda dá para apostar nas projeções do FMI? Segundo Troster, sim. “O FMI tem o melhor conjunto de economistas que existe. Não tem um segundo lugar que chegue perto. Mas, claro, que eles falham às vezes”, diz.

Miopia, não

Segundo especialistas consultados pelo iG, a crise mundial e o desempenho surpreendente da economia brasileira fizeram com que as análises – não só as do FMI – ficassem mais complicadas. “ [O erro foi] Normal, como o mercado inteiro errou. Hoje, principalmente os mercados emergentes têm uma mobilidade muito grande e isso interfere na avaliação macroeconômica”, diz Alex Agostini, economista da Austin Rating.

Ele não acredita que os erros possam indicar uma miopia do FMI com relação ao Brasil. “Seria injustiça falar isso”, diz Agostini. “O que a gente pode dizer é que o FMI é sempre mais conservador.”

Para Daniela Prates, professora do Instituto de Economia da Unicamp, o FMI, no entanto, “não teve uma avaliação correta” da conjunção de valores da economia brasileira, que acabou beneficiada pelo aquecimento do mercado interno, pelo ciclo das commodities e pelo diferencial de juros. “Em geral, o FMI erra as projeções como um todo”, diz ela. “O futuro é incerto e os erros recorrentes das previsões só reafirmam isso.”

Para os economistas, o contexto da crise faz com que os modelos de projeções não sejam eficientes, segundo o professor José Luiz Rossi, do Insper. “Em um momento de crise, há uma quebra de modelo”, diz. “A aversão ao risco muda, as expectativas mudam. Então, é muito difícil usar modelos para projeções.”

A opinião parece ser unânime. “Os modelos estatísticos de projeção são, na grande maioria, estáticos”, diz Agostini. “Acabam sendo quantitativos e não qualitativos. Se no meio do caminho de uma projeção acontecer uma mudança fora do esperado, os números não baterão.”

Crise grega

Em meio aos questionamentos sobre a credibilidade de projeções em um cenário de crise, o FMI manteve a tendência de recuo das economias do chamado Piigs (grupo formado por Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). Para a Grécia, o Fundo projeta recuo de 2% no PIB neste ano e de 1,1% em 2011, com déficit em conta corrente na casa dos 9,7% do PIB em 2010 e 8,1% no ano que vem.

No caso espanhol, o FMI espera crise menos intensa, com queda de 0,4% do PIB neste ano e retomada em 2011, com leve alta de 0,9%. Para Portugal, o FMI não prevê recessão: altas de 0,3% e 0,7% em 2010 e 2011, respectivamente.

Os especialistas reforçam que, em momentos de crise, o importante é observar a direção das projeções. “Incerteza existe bastante. O cenário está complicado e qualquer modelo vai partir de uma série de pressupostos que podem não se verificar”, diz Thais Marzola, da Rosenberg & Associados.

Credibilidade

Alex Agostini reforça as dificuldades das projeções acompanharem a dinâmica macroeconômica. Para ele, também seria casualidade se o FMI acertasse os números da economia brasileira. Ele afirma que o Fundo tem capacidade de se moldar constantemente às mudanças da economia mundial. “O importante não é o número em si, mas a tendência”, diz a professora Daniela Prates.

Procurado pelo iG, o FMI não atendeu às solicitações de entrevista até a publicação desta matéria.

domingo, 2 de maio de 2010

LULA É O CARA - ATESTADO PELA TIME



Lula é eleito o líder mais influente do mundo pela "Time"


Em perfil assinado por Michael Moore, a história de vida de Lula é ressaltada; cineasta chama o presidente brasileiro de "verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito nesta quinta-feira (29) pela revista americana Time como o líder mais influente do mundo. Lula encabeça um ranking de 25 nomes e é seguido por J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do secretário do Tesouro dos Estados Unidos.

No perfil escrito pelo cineasta Michael Moore, o programa Fome Zero (praticamente substituído pelo Bolsa Família) é citado como destaque no governo do PT como uma das conquistas para levar o Brasil ao primeiro mundo. A história de vida de Lula também é ressaltada por Moore, que chama o presidente brasileiro de verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina.

A revista lembra quando Lula, aos 25 anos, perdeu sua primeira esposa Maria, grávida de oito meses, pelo fato dos dois não terem acesso a um plano de saúde decente. Ironizando, Moore dá um recado aos bilionários do mundo: "deixem os povos terem bons cuidados de saúde e eles causarão muito menos problemas para vocês".

A lista mostra os 100 nomes de pessoas mais influentes do mundo em diversas áreas líderes da esfera pública e privada, heróis, artistas, pensadores, entre outros.

Entre os líderes em destaque também estão a ex- governadora do Alasca e ex-candidata republicana à Vice-Presidência dos EUA, Sarah Palin; o diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn; os primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad, e o chefe do Governo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Outras categorias

O ex-presidente americano Bill Clinton é o primeiro na categoria dos ?heróis? pelo trabalho realizado no Haiti depois do terremoto de 12 de janeiro por meio da ONU (Organização das Nações Unidas). Segundo seu perfil, escrito pelo cantor Bono Vox, da banda irlandesa U2, "sem ele o universo não seria tão amigável para os seres humanos."

Abaixo de Clinton aparecem: a sul-coreana Kim Yu-na, que conseguiu o primeiro ouro em patinação artística para seu país em Vancouver; o opositor iraniano Mir Hussein Musavi, e o ator Ben Stiller por seu trabalho na reconstrução de escolas no Haiti.

A cantora Lady Gaga encabeça o ranking dos artistas e recebe elogios da colega Cyndi Lauper que mostra sua admiração pelo trabalho da nova-iorquina de 24 anos. Lauper destaca que "a arte de Lady Gaga capta o período em que estamos agora" e rasga elogios à postura polêmica de Gaga: "ela mesma é a arte. Ela é a escultura."

Além disso também aparecem a cantora Taylor Swift, os atores Ashton Kutcher e Neil Patrick Harris, assim como o produtor e popular juiz do programa de talentos "American Idol", Simon Cowell.

Depois de Lady Gaga, aparecem na lista artística: o humorista Conan O''Brien, que abandonou seu programa na rede de televisão americana "NBC"; a cineasta Kathryn Bigelow, primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor direção por seu filme "Guerra ao Terror" e a apresentadora Oprah Winfrey.

Na lista dos pensadores o urbanista Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, aparece em 16° lugar por seu "maravilhoso legado de sustentabilidade urbana", destacado pelo prefeito de Vancouver.

A revista "Time" também inclui uma análise de quem de sua lista são os mais influentes na internet, através de uma análise do número de seguidores e de conexões que essas pessoas acumulam nas redes sociais Facebook e Twitter.

Segundo essa análise, Barack Obama e Lady Gaga, seguidos do ator Ashton Kutcher, da cantora Taylor Swift e da apresentadora Oprah Winfrey dominam o manejo dessas ferramentas eletrônicas.

DISCURSO DE DILMA NO PRIMEIRO DE MAIO